Projeto “Os Caminhos de Santiago em Portugal. Políticas públicas e associativas”, liderado por Carlos Pazos-Justo, a desenvolver em 2021

Os Caminhos de Santiago em Portugal. Políticas públicas e associativas no Caminho Português da Costa é o título do projeto de pesquisa, a desenvolver em 2021, liderado por Carlos Pazos-Justo e com a participação de outras pessoas do grupo Galabra da Universidade do Minho, nomeadamente Álvaro Iriarte, Inês Americano Lopes e Maria João Moreira (também ligada ao Politécnico do Porto). É um dos 21 proxectos de investigación, difusión e didáctica sobre o Camiño de Santiago e as Peregrinacións reconhecidos através do apoio da Cátedra do Caminho de Santiago da USC.

RESUMO: Considerando o processo em curso de maior notoriedade pública dos Caminhos de Santiago em Portugal em várias dimensões e partindo da hipótese de haver um crescimento significativo do interesse entre entidades públicas e privadas na sua promoção e desenvolvimento, este projeto pretende avançar no conhecimento sobre o estado de tal processo relativamente ao Caminho Português da Costa, aquele que tem experimentado, em termos quantitativos, um aumento exponencial de peregrinos e de visibilidade nacional e internacional.

Mais em detalhe, pretende-se, através do conhecimento das linhas de força das políticas públicas dos dez municípios atravessados pelo Caminho Português da Costa e das entidades associativas vinculadas: (i) fixar o quadro legal português; (ii) conhecer as linhas de força das políticas públicas autárquicas; e (iii) identificar as finalidades, ideias e ações das entidades associativas. Para alcançar estes três grandes objetivos, recorrer- se-á à consulta da bibliografia existente sobre o objeto de estudo concreto e à elaboração e implementação de questionários aos agentes previamente identificados.

Por fim, este projeto almeja contribuir para uma planificação cultural eficiente dos Caminhos de Santiago em Portugal, e do Caminho Português da Costa, em particular, a partir da análise das agendas municipais e associativas.

A proposta submetida e selecionada parte do reconhecimento de uma crescente atenção académica ao fenómeno Jacobeu em Portugal, nomeadamente evidenciado através de numerosas teses de Mestrado e, em menor medida, de Doutoramento defendidas em instituições do Ensino Superior português. Mas também constata o facto de a informação disponível apontar para um conhecimento construído que pode ser considerado ainda numa fase inicial. No que concerne especificamente ao Caminho Português da Costa, a literatura identificada demonstra algumas limitações, tendo-se centrado nas questões de identificação e sinalização da própria rota ou nos eventuais impactes da promoção do Caminho no âmbito económico.

Os Caminhos a Santiago que atravessam o território lusitano não se encontram classificados, de tal modo que legal e formalmente não integram o património cultural português e, por conseguinte, não se encontram sujeitos ao regime da salvaguarda e valorização. Há questões jurídicas em torno dos caminhos que nunca foram objeto de reflexão, designadamente a conceção de um quadro normativo a ser implementado num futuro modelo de gestão.

Em função do apontado, os objetivos que se perseguem neste projeto encontram-se relacionados com o avanço no conhecimento acerca do estado dos Caminhos de Santiago em Portugal e das políticas públicas e privadas aí desenhadas em relação a eles e, ao mesmo tempo, com a contribuição para a identificação e análise dos agentes e as políticas públicas e privadas a atuar no desenvolvimento do Caminho Português da Costa, disponibilizando os resultados alcançados junto das entidades portuguesas envolvidas, em diferentes dimensões, na gestão dos Caminhos em Portugal de forma a contribuir para uma planificação cultural eficiente dos mesmos.